Em Sebastopol, na Crimeia, os professores da Escola Politécnica, Fábio Krykhtine e Osvaldo Rezende, participaram de uma missão internacional voltada ao estudo dos impactos das mudanças climáticas em regiões costeiras vulneráveis. Os docentes integraram a terceira expedição do projeto BRICS VULNECOAST, iniciativa que reúne pesquisadores de diferentes países para desenvolver soluções de monitoramento e gestão ambiental.
Durante a missão, os professores trabalharam no desenvolvimento de um software capaz de analisar os efeitos das mudanças climáticas sobre ecossistemas costeiros, utilizando a Lógica Fuzzy como base para apoiar processos de tomada de decisão. Eles também se tornaram os primeiros pesquisadores brasileiros a visitarem o Instituto de Biologia dos Mares do Sul da Academia Russa de Ciências (IBSS), considerado um dos mais importantes centros de pesquisa em vida marinha do mundo.
A viagem a Sebastopol, realizada entre os dias 27 de abril e 7 de maio, integrou uma das três missões de reconhecimento previstas pelo projeto VULNECOAST, vinculado ao 6º Programa-Quadro de Ciência, Tecnologia e Inovação dos BRICS, com apoio do CNPq pelo Brasil. Ao lado de pesquisadores do IBSS, os professores participaram de inspeções em áreas costeiras estratégicas, como a costa sul da Crimeia e o litoral do Mar Negro, no Cáucaso. As visitas tiveram como objetivo mapear características ambientais, incluindo relevo, uso do território e processos naturais em curso nessas regiões.
Além das atividades de campo, os pesquisadores participaram de reuniões institucionais com diretores e cientistas do IBSS para discutir futuras cooperações acadêmicas, incluindo a realização de conferências científicas conjuntas. A programação também incluiu visitas aos modernos laboratórios do instituto, ao Centro de Uso Coletivo “Filogenômica e Transcriptômica” e à coleção de hidrobiontes do Oceano Mundial.
Fundado em 1871, o IBSS possui uma ampla infraestrutura de pesquisa, com frota de embarcações, equipamentos avançados de análise laboratorial, estação meteorológica e o maior acervo de peixes e micro-organismos da Rússia, sendo uma referência nos estudos da vida marinha do Mar Negro.
Segundo o professor Osvaldo Rezende, a experiência proporcionou um importante intercâmbio científico e cultural. “A oportunidade de enfrentar desafios comuns em territórios distintos é extremamente enriquecedora. Um sentimento gratificante é o reconhecimento de que a ciência não deve se limitar a fronteiras políticas, devendo ser livre e acessível a todos, para que os seus resultados possam contribuir para a construção de um futuro melhor”, destacou.


A participação dos professores no projeto teve início em 2024, quando foram contemplados no edital BRICS STI, com o projeto coordenado pelo professor Fábio Krykhtine. Na primeira etapa da expedição, receberam na UFRJ equipes do IBSS e da Durban University of Technology (DUT), da África do Sul. No ano passado, realizaram uma visita técnica à DUT, onde conduziram levantamentos na costa oeste sul-africana. Agora, os pesquisadores se preparam para retornar a Sebastopol, entre agosto e setembro deste ano, para participar de duas conferências internacionais.
“Nossa missão em Sebastopol foi especial em diversos aspectos por abrir importante canal de diálogo com especialistas, gerar conexões científicas de alto desempenho e projetar estratégias de integração futuras. Além do IBSS, nós também fizemos uma visita técnica ao Instituto de Oceanografia Shirshov em Moscou, que conta com frota de seis navios de pesquisa e dois submarinos com o qual a UFRJ assinará acordo de cooperação.”, avaliou o professor Fábio Krykhtine.















