Do reaproveitamento do óleo de cozinha ao combate ao calor urbano, dois projetos desenvolvidos por estudantes da Escola Politécnica da UFRJ propõem soluções para problemas ambientais e sociais. As iniciativas conquistaram a medalha de bronze na etapa realizada no Rio de Janeiro e garantiram à Politécnica presença no pódio pelo segundo ano consecutivo.
As equipes EcoCycle e Lab Pau-Brasil desenvolveram, respectivamente, uma proposta de economia circular com uso de Inteligência Artificial e uma plataforma para mapear riscos climáticos e vulnerabilidades nutricionais. As duas soluções foram apresentadas na final do China-Latin America Youth Responding To Global Challenges – 2026 Poverty Alleviation Challenge, realizada em 14 de agosto, no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE-UFRJ), no Rio de Janeiro.
A competição é coordenada, no Brasil, por Ana Célia Castro, diretora do CBAE-UFRJ, em parceria com TaoTao Chen, da Universidade de Tsinghua, na China. A iniciativa integra a cooperação Brasil-China e tem como referência um convênio firmado pelos governos dos dois países.
Ao todo, doze equipes foram selecionadas para a etapa final e divididas em dois grupos. Enquanto uma parte das equipes disputou a final em Santiago, no Chile, a outra competiu no Rio de Janeiro. Na etapa realizada na capital fluminense, as duas equipes da Politécnica conquistaram o terceiro lugar. Os projetos foram avaliados por uma banca examinadora composta por pesquisadores, professores e especialistas.
Pelo segundo ano consecutivo, os estudantes Thaís da Silva Mendes, de Engenharia Elétrica; Caio Peixoto Galdino, de Engenharia de Computação e Informação; e Marcelo Nicacio Rodrigues, graduando em Engenharia Metalúrgica e mestrando em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR-UFRJ, subiram ao pódio na competição, consolidando a conquista consecutiva.

A equipe EcoCycle é formada pelos estudantes Thaís da Silva Mendes e Caio Peixoto Galdino, além de alunos parceiros da China e do Chile, sob a orientação das professoras Caroline Porto, da FAETEC, e LinLin, da Tsinghua University. Em seu projeto, a equipe apresentou uma iniciativa voltada à economia circular, com o uso de Inteligência Artificial. A proposta transforma o óleo de cozinha, resíduo associado ao descarte inadequado e aos impactos ambientais na região do Rio Pavuna-Meriti, em uma fonte de renda e de desenvolvimento comunitário.
Para Thaís Mendes, a experiência de participar da competição também foi marcada pela oportunidade de estabelecer conexões internacionais. Em janeiro deste ano, durante uma visita à China, a estudante teve contato com jovens de diferentes países e os convidou a integrar a equipe. A partir daí, o desenvolvimento do projeto ocorreu de forma on-line, com reuniões semanais entre os integrantes.
“Essa conquista significa que podemos fazer pelo mundo muito mais do que acreditamos. Conseguimos desenvolver um conjunto de projetos realmente valiosos. Podemos usar tudo o que aprendemos para gerar impacto positivo na sociedade através da Engenharia”, afirma Thaís.

A equipe Lab Pau-Brasil, formada pelo estudante Marcelo Nicacio Rodrigues e por alunos parceiros da China, da Suécia e do Chile, contou com a orientação do professor José Orlando Gomes, da Politécnica. O projeto foi desenvolvido com foco em famílias em situação de vulnerabilidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro, especialmente aquelas afetadas pela insegurança alimentar e pela exposição ao calor urbano extremo. A proposta prevê a implementação de uma plataforma capaz de mapear riscos climáticos locais e vulnerabilidades nutricionais. A partir desses dados, a ferramenta busca direcionar intervenções baseadas na natureza para as áreas e populações que mais necessitam de apoio.
Marcelo Nicacio destaca que utilizou sua experiência acadêmica para potencializar os resultados obtidos no projeto: “Busquei disciplinas no mestrado e na graduação que me ajudaram a aprimorar a parte técnica do projeto.” A conquista, segundo ele, representa uma vitória pessoal e reforça a importância de pensar novas formas de planejamento urbano. “É através de soluções baseadas na natureza que podemos alcançar um futuro sustentável, que reduza os efeitos das mudanças climáticas e ofereça à população o direito à cidade e à terra”, reflete.
