Projeto das Escolas Politécnica e de Química da UFRJ inspira mulheres a buscarem carreiras nas áreas de C&T

Curso de reciclagem de resíduos de eletroeletrônicos envolveu alunas de escolas municipais do Rio e integrantes de cooperativas

Publicado em: 02/09/2022 Escola Politécnica da UFRJ
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Despertar em jovens meninas o interesse para as carreiras de Ciência e Tecnologia (C&T), e auxiliar mulheres que já atuam como agentes em cooperativas de reciclados. Esses são alguns dos objetivos do curso sobre reciclagem de resíduos eletroeletrônicos, promovido pelas Escolas Politécnica e de Química da UFRJ, através do Programa de Engenharia Ambiental da UFRJ (PEA/UFRJ), do Laboratório de Informática para Educação (LIpE) e do Núcleo de Excelência em Reciclagem e Desenvolvimento Sustentável (NERDES) – localizado no Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA/UFRJ). A atividade foi realizada entre os dias 22 e 26 de agosto, no IMA. 

A iniciativa, que faz parte do projeto “Mulheres na Engenharia Ambiental”, contemplado em edital da FAPERJ, em 2021, foi coordenada pelas professoras do IMA, Elen Vasques Pacheco, Ana Lúcia Nazareth da Silva e Lídia Yokoyama (atual coordenadora do PEA/UFRJ), e pelo coordenador do LIpE, Ricardo Jullian. “Estruturamos cursos com conteúdos relacionados à Ciência Ambiental e à Engenharia Ambiental, aplicando práticas metodológicas de ensino lúdicas e de fácil alcance, que incentivem os jovens talentos do Ensino Básico para a ciência”, explicou a professora Lídia Yokoyama.

Ao longo da semana, alunas do CIEP 386 Guilherme da Silveira Filho, em Bangu – uma das escolas públicas participantes do projeto FAPERJ, adquiriram conhecimentos sobre como identificar as diferentes peças que compõem um equipamento. Durante o curso, as alunas tiveram a oportunidade de realizar atividades envolvendo a desmontagem, reparo e o reuso de equipamentos; e aprenderam como gerir os respectivos resíduos, entendendo os riscos ambientais, além da problematização do descarte destes materiais.

“Para essas meninas, o curso é importante para ajudar na descoberta da carreira, orientar sobre o que elas querem ser quando crescer. Algumas delas chegaram aqui indecisas, mas já estão definindo o que vão querer. Para elas, que acham que a universidade é algo muito distante, o curso consegue mostrá-las o contrário, que a universidade está bem ao lado delas”, opinou a professora do CIEP 386, Vânia Limeira Dutra, que também participou das atividades.

Segundo a professora do IMA Ana Lúcia Nazareth, o sexo feminino predomina em relação ao número de estudantes matriculados em instituições públicas e privadas e nas modalidades presencial e à distância, mas ressalta: “Apesar de serem a maioria nas universidades brasileiras, ainda são minoria no campo de pesquisa científica, especialmente na ocupação de cargos de chefia. Dentro desse contexto, o projeto busca estimular essas alunas a ganhar gosto pela ciência e futuramente nivelar essa diferença que existe dentro da academia”, lembrou.

A realização e a execução do curso contou com o envolvimento de nove graduandos de diferentes cursos da UFRJ, que foram separados para atuarem em diversos momentos, seja na apresentação e preparação da parte teórica ou no desenvolvimento das atividades práticas. Também participaram o criador do projeto Arte Reciclável e técnico aposentado do ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica, Gilberto Vieira; o extensionista do NIDES – Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social, Antônio Oscar; a doutoranda do PEA Claudia Khair; e o também técnico da UFRJ, Renan Vieira.

Cooperativas também se beneficiam do treinamento

Há três anos, Marta Regina de Oliveira trabalha em uma cooperativa de reciclados, localizada em Maria da Graça, zona norte do Rio. Ela atua na separação do material (roupas, móveis e utensílios domésticos), que é despejado duas vezes por semana no pátio da cooperativa.

Marta levou para o curso dois notebooks que foram descartados, com a ideia de recuperá-los. “Os eletrônicos chegam pra gente apresentando defeitos, que poderiam ser reparados. Conseguindo colocá-los para funcionar, a gente poderia encaminhar esses eletrônicos para os próprios catadores ou para as crianças que nós atendemos ou até incluirmos em nosso bazar”, comentou.

Situação semelhante vive Júlia Souza, que trabalha numa cooperativa em Irajá, também na zona norte. Segundo ela, a participação no curso permitirá que os próprios cooperados façam o direcionamento correto dos eletrônicos. “Atualmente, uma pessoa de fora da cooperativa recolhe e compra parte dos materiais eletrônicos que chegam da coleta seletiva. Nossa ideia é resolver tudo isso internamente e reverter de alguma forma para cooperativa os valores pelos materiais”, disse a representante.

Para o coordenador do Laboratório de Informática para Educação (LIpE), Ricardo Jullian, a troca de conhecimento entre a universidade e a sociedade é importante. “A gente tem que entender a extensão universitária como uma via de mão dupla. Este curso leva conhecimento, mas ao mesmo tempo recebe das integrantes de cooperativas – que já trabalham com reciclagem em geral e acabam pegando também eletroeletrônicos, informação prática e específica, que complementa e amplia a informação da universidade”, avaliou.